Movimento Estudantil universitário: por que tem dado errado?

Um dos vários motivos pelos quais o movimento estudantil (ME) universitário hoje vive uma completa crise de identidade, representatividade e ineficiência é seu processo de elitização crescente.

Se falamos de movimento estudantil, precisamos de falar das/os seus militantes, aquelas e aqueles responsáveis pela atuação, organização e existência do ME nas universidades. Se por um lado enfrentamos o constante ataque aos nossos direitos – dentre eles o ataque à educação que há alguns anos precariza o ensino e as estruturas das Universidades – por outro lado também enfrentamos o constante conflito de egos. Este, se mostra ainda mais apelante, pois ao mesmo tempo que destrói relações políticas, fragiliza-as e as anula, em nada se propõe para resolver ou sanar as dificuldades enfrentadas por todas/os envolvidas/os nesses processos – geralmente também estudantes que sofrem algum tipo de pressão seja social, psicológica, acadêmica ou econômica.

A elitização desses espaços dificulta, por exemplo, uma luta honesta em prol da manutenção de nossos direitos, conquistados à tanto suor em favor da democratização dos espaços públicos de nível superior: permanência nas universidades, com o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES); (des)incentivo às pesquisa e produção, com o Ciências Sem Fronteiras (já extinto para a graduação); com a destinação dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação e os 50% do Fundo Social do Pré-sal.

Slogan da campanha pelos 10% do PIB para a educação pública

Mas por que há essa elitização?

Ora, basta ter frequentado alguma universidade pública brasileira para perceber que, majoritariamente, as/os que aqui estão são pessoas ou privilegiadas, ou abastadas, ou de classe média (alta), ou brancas, ou ricas, ou que são isso tudo e ainda “pagam de pobre” (como se pobreza, em seu significado literal, fosse algo a se “ostentar”). As universidades, apesar de sua constante tentativa e processo de popularização desde 2002, ainda não conseguiram pintar-se, e à suas estruturas, estudantes, técnica/o-administrativas/os e professoras/os, de povo!

Já parou pra pensar quantas/os estudantes de baixa renda entraram na sua turma? Dessas poucas, quantas/os ainda estão estudando?

As dificuldades e barreiras são imensas, ainda se agravam nesse período de cortes de bolsas. Aí então a solução é buscar um trabalho ou freela, afinal, como se manter estudando o dia inteiro? Sem dinheiro pra aluguel, alimentação, material de estudos, transporte e lazer? Com isso tudo (sobre)posto, o resultado é óbvio: evasão!

A pressão social-econômica afasta quem realmente deveria estar tocando o movimento estudantil, já que são essas/es as/os mais afetadas/os pelos ataques estruturais que nossas sociedade, ensino público e universidades estão sofrendo. A necessidade de uma renda, que ajude nas despesas de casa ou que consiga bancar o aluguel mensal, impede que muitas/os estudantes continuem atuando e militantes, impede que busquem as mudanças que precisamos. E aí, quem tem o tempo livre, a “mesada” garantida e tantos outros privilégios, além de não produzir, desconstrói e desvia o real objetivo do movimento estudantil: estar à frente da defesa dos direitos das/os estudantes e pela garantia de mudanças estruturais que possibilitem a permanência e a voz do povo nas universidades públicas brasileiras!

Núcleo Comunitário de Inclusão de Itararé

Originalmente publicado em 23/03/2017: NCD firma parceria com o Centro Comunitário de Itararé

Como forma de expandir as áreas físicas de atuação e potencializar a promoção da inclusão sociodigital, o Núcleo de Cidadania Digital (NCD) estabeleceu parceria com o Centro Comunitário de Itararé e criou o Núcleo Comunitário de Inclusão (NCI). A idéia firmada surgiu de uma reunião com o movimento para criar uma proposta que utilizasse o espaço disponível e que o transformasse em um núcleo de inclusão. “Eles tinham infraestrutura com computadores montados pela prefeitura mas não estavam utilizando há mais de um ano. Nossas intenções se uniram pois eles também queriam seguir com algo que realmente capacitasse as pessoas e desse uma formação”, explica o ex-coordenador de Projetos e Inovação do NCD, Hudson Ribeiro.

O objetivo do projeto NCI é atuar como um agente transformador da realidade, investindo na formação profissional para contribuir com a diminuição da situação de vulnerabilidade social e desemprego que a comunidade enfrenta. Além disso, busca-se capacitar pessoas da região para atuar futuramente como instrutores do laboratório, transmitindo seus conhecimentos adquiridos. O projeto foi consolidado inicialmente em Itararé, mas a proposta é expandir a área de atuação cada vez mais para outros bairros.

O local

Itararé faz parte do denominado “Território do Bem”, composto por um conglomerado de bairros carentes da Grande Maruípe: São Benedito, Jaburu, Itararé, Floresta, Engenharia, Bonfim, Bairro da Penha e Consolação. Segundo a pesquisa “Saberes, Prazeres e Perfil de Moradores”, realizada em 2008, cerca de 80,3% das famílias da região possui baixa renda (destas, 65% têm renda menor que dois salários mínimos). Além disso, a maioria tem pouca escolaridade e não tem a oportunidade do acesso à internet.

O ex-coordenador de Projetos e Inovação aponta que a iniciativa tem grande importância na construção de novas expectativas para a população. “Não devemos ficar restritos à somente Itararé. O NCI tem a idéia de levar para a população das comunidades a capacidade de se tornar pessoas autônomas em relação às tecnologias de informação e comunicação, e empoderá-las para utilizar de forma crítica”, afirmou.

As aulas

O primeiro curso ministrado pelo NCD dentro do laboratório da comunidade foi de Mouse e Teclado, iniciado em dezembro de 2016, e o público é composto  principalmente por pessoas da terceira idade. Mauricéia Félix, 44, faz parte do movimento comunitário e se interessou pelo curso pois tem pouco conhecimento em informática e pretende se aperfeiçoar. “Eu quero aprender mais e passar um pouco do que eu aprender para outras pessoas. Quanto mais a gente aprende, mais a gente quer conhecer. Fiquei bem curiosa e pude esclarecer algumas dúvidas que eu tinha a respeito do teclado”, afirmou.

Outro aluno entusiasmado com o projeto é Izaías Viana da Rocha. Ele tem 50 anos e conta que o curso está fazendo diferença na vida profissional dele. “Nesse momento, o curso já está sendo muito importante para mim porque onde trabalho, eu preciso saber utilizar o mouse e teclado. Os instrutores são muito atenciosos e pacientes”, disse.

O Diretor de Ensino do NCD, Jonas Fiorini, sente que o trabalho está dando resultados pois consegue ver a transformação sendo realizada. “Os alunos demonstram maior gratidão pelo nosso trabalho. Creio que isso se deve ao fato de normalmente eles serem marginalizados e esquecidos por outras organizações”, disse.

Autora: Barbara Coutinho

Governança com quem?

Na primeira semana de abril participei da Escola de Governança da Internet América do Sul 2017, sediada na Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro. Durante esses dias, tivemos contato com pessoas de todos os setores da sociedade que debatem, de alguma forma, a Governança da Internet. Desde IBM, Facebook, Google e chefes de Estado à membros de organizações não governamentais ou ativistas dos direitos na Internet, como Internet Sem Fronteiras, Usuarios Digitales, IntervozesCoding Rights e, nós, do Observatório da Juventude.

Ao decorrer dos debates, foram tratados muitos pontos essenciais para a construção do futuro da Internet e das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como um todo. A dificuldade do acesso à Internet em regiões distantes dos grandes centros, o avanço exponencialmente rápido das tecnologias que acabam forçando as disputas sociais e as adaptações jurídicas e a necessidade de conscientização das/os usuários finais sobre o uso e sobre o que de fato acontece por debaixo dos panos (ou dos algoritmos e códigos, nesse caso) na Internet são assuntos sempre em alta nesses espaços.

Mesa de abertura e demais compostas em sua maioria por homens

Novamente, como pude observar no Internet Governance Forum 2016 (IGF) em João Pessoa, toda a discussão sobre Governança da Internet (GI) se mantém, ainda, muito elitizada e pouco representativa. De todos as composições de mesas da Escola, pode-se contar nos dedos as que em sua maioria foram compostas por mulheres. A situação ainda piora, e muito, se observarmos a participação de negras/os, LGBTs ou, até mesmo, de jovens. A composição do ambiente, do espaço, não só impacta nos produtos e reflexões que dali surgem como também no permanente distanciamento desses setores da sociedade. Tudo isso, impede de que executemos um modelo de governança multistackholder verdadeiro!

Por outro lado, todo o esforço para fazer da Escola um local desobstruído deve ser reconhecido. Todas as mesas estiveram sendo traduzidas simultaneamente em português, espanhol e inglês. Assim, o mais importante: as línguas nativas e a naturalidade (em amplo sentido) foram respeitadas. O ambiente que se dispõe a pensar sobre as mais diversas vivências deve também saber ouvir e falar de acordo com elas.

Nona Escola de Governança da Internet da América do Sul

Por fim, ainda há um extenso caminho para mudar a Internet e (re)transformá-la em uma ferramenta de representação e efetivação da liberdade, e isso perpassa pelo desenvolvimento de uma Governança da Internet mais participativa, acessível, democrática e representativa.

SOS

Socorro!!!

Não aguento mais essa prisão!

No domingo quem aproveitou foi o povão.
Microondas, ventilador
e tudo mais que não dá pra comprar
mesmo quando tem saldão.

As vidraças e o prejuízo
(a quem sempre prejudicou a nação)
nem me preocupam demais.
Mas e a perda daquela família
com o mais novo de 17 estirado no chão?

Não posso sair de casa.
Dizem que quem estiver na rua vão matar
que agora ela é lugar de ladrão.
Sabe como é
coisa de quadrilha que veste preto
filhos da descriminação.

Dar uma volta só pela manhã
na tentativa de ver o sol
tomar um ar
E comprar o tão sonhado pão.

Enquanto isso a periferia
(mais do que nunca)
continua morrendo.
A TV jorra sangue

e não é mais só no Datena
É 24h esse maligno plantão!

A mentira tomou conta
e a novidade é que agora
não passa só no ES TV 1ª Edição.

Num estado que sempre foi campeão
em violência contra mulher jovem negro
Dizem que a segurança volta com o Exército
que quando passa
(repisa-se, em bairro nobre)
recebe saudação.

A violência não vai acabar, meu irmão!

A PM sempre se lixou pro povão.
O Governo só sabe investir nos empresários
pouco se importa com a Educação.
(e pra dizer que não faz algo
inventou esse tal de Ocupação)
Mas sobe o morro pra largar o ferro
e é o real culpado pelo DML em lotação.

Com PH é assim
(diz ele que tem um império)

e se tu não é
Arcellor Odebrech Vale e Tubarão
NUNCA TEM NEGOCIAÇÃO.

Paulo Hartung e a estratégia anti-negociação

O Governo de PH é estratégico e inteligente, mas repetitivo. Em todos os processos de manifestação pelo ES a prática se repete: (i) a ação direta e paralisação eclodem a partir dos movimentos paredistas, (ii) o governo faz vista grossa, aguarda o esvaziamento do movimento e apela às suas mídias financiadas, caso contrário, (iii) organiza um movimento de repressão violento e (iv) interpõe multas e sanções para finalizar o movimento na tentativa de evacuar e de cortar as lideranças. É sempre a mesma coisa: só negociamos quando não houver manifestação/paralisação. Ou seja, não se sintam especiais, nunca há negociação.

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“Fala com meu Secretário.”

Em relação à greve da Polícia Militar – que obviamente não é uma greve das famílias dos militares, é algo que parte de dentro para fora dos Batalhões -, chegamos à última fase do processo de “negociação” dos secretários do Governo do ES: colocar a população contra o movimento grevista.
É nítido que colocar a população contra a greve da PM é algo simples. A polícia que mata inocente, aborda e persegue preto e pobre onde puder existir. Se de um lado sua ausência demonstra a fragilidade em nossa educação e consciência coletiva, por outro, demonstra que o problema central da segurança pública não é a existência de um órgão regulatório central, mas sim a junção de diversos fatores oriundos das políticas públicas desse governo: precarização, má gestão da educação pública e desigualdade social. A ausência da PM nas ruas aumenta a sensação de insegurança, mas a presença dela não estabelece sequer um sentimento de tranquilidade. Isso nem na Praia do Canto – a fanfic do Exército e das panelas – e muito menos nos morros. Não se trata, como muitos têm gostado de argumentar, de “chamar o Batman” – o que seria muito preferível – e sim, se trata de que constitucionalmente a função da Polícia Militar não é de proteger o povo, mas de proteger os aparelhos do Estado.
A falta de consciência política e coletiva explode com o surgimento dos grupos de “justiceiros”, que prometem segurança a partir de uma violência desmedida e cega. Vejamos, isso não é segurança! Isso é o racismo e o fascismo se alastrando em busca de algo que, dessa forma, nunca vai encontrar: paz.
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Famílias de militares em frente ao Quartel do Comando Geral da PM em Vitória

O Governo do ES e Paulo Hartung, uma hora, vão aprender que política se faz com flexibilidadediscernimento e que agir como crianças mimadas, que batem o pé e só sentam à mesa de jantar quando o primo pobre devolve seu pirulito, não trará melhorias para o ES. Ou preferirão aprender pela dor, pela dor de ver a sua taxa de rejeição aumentando e o ES numa guerra sangrenta?

Se o algarismo 8(%) [1] é tão importante para esse (des)governo, será necessário chegar à qual número para que se toquem disso? Já estamos no 90.

[1] http://vitorianews.com.br/politica/noticia/2016/12/governador-paulo-hartung-equilibra-financas-paga-todas-as-contas-e-fecha-2016-com-r-40-milhoes-em-caixa-131825.html

A luz

A luz
A matéria
A desigualdade.
Tudo isso já existia
muito antes
de pensarmos ser alguém de verdade.

A luta
A revolução
E os golpes.
Isso tudo se aplica
por maiorias poderosas
desde que o ser humano anda a galopes.

Diante disso: o que fazer?

Chorar? Gritar? Morrer?
Desistir? Descansar? Esquecer?

Eu não sei.
Talvez nem você.

Só sei quem eu sou e de onde vim
o que almejo e quero fazer.

A mudança principia em nossas mãos.
É isso o que posso dizer.

2017 em Metas

Rumo à 2017, concluindo o segundo ano desse blog que vos fala e seguindo com o maior objetivo do Vassourinha de Conteúdo: incentivar a produção independente de conteúdos informativos e o empoderamento social!

Em comparação com as Metas de 2016, dá pra ver facilmente que não chegamos às 100 postagens e muito menos fizemos um vlog. Mas no último ano alcançamos mais de 2.500 visitantes, o que supera as expectativas e fecha pelo menos uma das metas. Nesse quesito, tivemos então um aumento de 325% em relação à 2015. Oba!

Então é seguir com mais um ano de produção, mantendo a ideia de passar o 100º texto e, agora, chegar também à visita de número 5000!

Para adiantar a vida de amigues, se liga e compartilha o Vassourinha por aí. Vai que assim ninguém precise de pesquisar coisas loucas pra encontrar o blog! 😉

busca

Cicloativismo: coisa de gente maluca! 🙂

Tenhamos um ótimo ano novo!

Que venha 2017!

Final de ano é sempre um momento importante, é quando nós paramos – ou deveríamos – para refletir sobre o que fizemos e como estivemos durante o ano que passou. Mas em se falando de 2016, torna-se cada vez mais difícil a energização em torno de coisas boas, afinal esse ano marca muitas alterações que terão impacto em nossas vidas por longos anos. O que não significa que isso seja impossível, já tentou parar para avaliar todas as coisas e pessoas boas que surgiram na sua vida em 2016?

E é bem por isso que devemos mudar de estratégia: ao invés de culpar, objetificar ou animizar o ano de 2016, precisamos de entender que tudo o que aconteceu ou que está prestes a acontecer faz parte de uma agenda extensa, principalmente em relação aos processos políticos, econômicos e sociais – que estão sendo pensados há anos e que se almejam para o futuro próximo. Já pensamos que 2016 pode ser fichinha perto do que podemos vivenciar em 2019 com o resultado das eleições de 2018? Isso só para falar da política, e ainda de maneira superficial.

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Vem pedalando, 2017!

Ou seja, tudo faz parte de uma consequente e contínua construção. Não haverá um ano bom adiante se previamente não nós tornarmos melhores, mais fortes e menos egoístas. Por exemplo, quando 2016 começou eu estava no hospital com minha vó, a situação piorou e infelizmente hoje não posso passar o 1º dia de 2017 (quando ela faria 92 anos) fisicamente com vovó, mas isso não significa que estarei longe dela, pelo contrário.

Apesar dos pesares, precisamos de entender que o ano passa, a nossa vida também, e o que fica são nossas atitudes (ou a falta delas). Portanto, para construirmos um novo ano, que realmente seja diferente, que faça bem às pessoas desse país e que se prepare para o porvir, precisamos de estar à frente das mudanças, presente em nossas famílias e na sociedade e com muito gás – porque o de pimenta da Polícia nós já percebemos que é difícil de acabar. rs

E pra fechar com um sentimento que me acompanha desde o início do ano, parafraseando Ernesto Guevara: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.” Que nos fortaleçamos enquanto nos tornemos seres mais sensíveis!

Feliz ano novo! Feliz 2017! Viva!

Solidão

Pode até parecer
que estamos
todes sozinhos.
Pode até ser
que estejamos perdidos.
Mas a solidão constrói
ao passo que derruba.
Ela fere mas cura.

A solidão é o bem
e é o mal.
É o viver bem
com ninguém
além de si mesmo.

A solidão é fera.
Monstro de dor
e compaixão.
A solidão que fere
e aperta o coração.

A sol y dão
é luz no fim do túnel.
Momento de reflexão
entendimento e autocompreensão.

É nada mais do que
estar bem consigo mesmo.
Lembrar de seus querides
e de quem tu és
pra não sair a esmo.

A solidão é força.
A solidão é luta.
A solidão é coisa.
A solidão é luz.

A solidão pode ser a solução.