Solidão

Pode até parecer
que estamos
todes sozinhos.
Pode até ser
que estejamos perdidos.
Mas a solidão constrói
ao passo que derruba.
Ela fere mas cura.

A solidão é o bem
e é o mal.
É o viver bem
com ninguém
além de si mesmo.

A solidão é fera.
Monstro de dor
e compaixão.
A solidão que fere
e aperta o coração.

A sol y dão
é luz no fim do túnel.
Momento de reflexão
entendimento e autocompreensão.

É nada mais do que
estar bem consigo mesmo.
Lembrar de seus querides
e de quem tu és
pra não sair a esmo.

A solidão é força.
A solidão é luta.
A solidão é coisa.
A solidão é luz.

A solidão pode ser a solução.

Ocupa a via e a escola!

Desde que soube das ocupações e pude ter o primeiro contato, fiquei besta e me surpreendi com a organicidade das/os secundas, como já disse no texto Ocupação. De lá pra cá, me incubi a missão de ajudar ao máximo possível. Primeiro falei com todas/os amigas/os professoras/es. Depois percebi que eu também podia contribuir com mais do que noites sem dormir.

Primeira ação: ajudar num debate sobre Empoderamento feminino no pedal pra EEEFM Almirante Barroso. É claro que eu não consigo pautar esse tema, mas rola de ajudar as minas na infraestrutura, nas dicas sobre pedal, na oficina de manutenção e no ouvido. Cada um com um pouco e o todo se torna o bastante!

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Empodere-se, mulherada🙂

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Noran da Massa

Aí começou outra labuta, passando de bicicleta com a galera por algumas escolas, conversando e levando apoio. Aí não teve jeito, papo vai, papo vem, segundo dia de ocupação da EEEM Professor Fernando Duarte Rabelo e precisando de gente para construir um espaço, fechando a agenda do dia seguinte: lá vou eu e Marllon falar sobre Educação e Trânsito, em nome do Movimento Ciclistas Urbanos Capixabas.

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Roda sobre Educação e Trânsito na EEEM Professor Fernando Duarte Rabelo

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É engraçado como é tão diferente falar sobre mobilidade para a galera das escolas públicas, que realmente usa a bicicleta como meio transporte. Lembro da época que aprendi a ir sozinho de bike para a escola, isso empondera, fortalece e é resistência!

Queria eu que a sociedade como um todo parasse e aprendesse a ouvir, com essa garotada das escolas ocupadas que se coloca a disposição de manter sua luta e sua educação. Queria eu que professores e estudantes da Universidade, em sua totalidade, entendessem que o conhecimento que adquirimos na vida e na academia não é nosso, é do povo. E, portanto, que façamos o necessário para transmiti-lo!

E você, já fez a sua parte hoje?

OcupAção!

Nos últimos dias, o que mais tenho ouvido, principalmente dentro da Universidade, é: estou cansado, estamos desorganizados e precisamos de aprender com as/os secundaristas. Nesse sentido, é necessário uma reavaliação, de todes nós. O que está acontecendo no país? O que eu li na TV e na Internet é verdade? Aquele/a colega tinha base pra afirmar aquilo? Então, qual o nosso papel nesse momento?

Todxs nós temos dificuldades: trabalho, escola, estudos, trânsito, etc. Todes nós estamos cansados, mas, mais do que nunca, esse momento pede união e consciência coletiva; só assim iremos conseguir mantermo-nos na luta e na labuta do dia a dia. Meio a isso, vemos as/os famosos militantes de Internet tendo que realizar transmissões alternativas e que debater diuturnamente para desconstruir informações equivocadas, porque a ditadura não é só da televisão, é na Internet também.

E refletindo e aprendendo com as/os secundaristas, as coisas tem ficado mais entendíveis. Não basta a luta na Internet, mas ela tem o seu papel. Não basta a luta individual diária, mas ela tem o seu papel. Não basta a luta coletiva, e ela precisa de seu apoio.

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Fonte: Ocupa Almirante (página no Facebook)

Nos últimos dias temos passado pelas escolas ocupadas de Vitória, dando apoio, tempo e ideias. Muitas/os fazem o mesmo pelas quase 50 escolas ocupadas no ES. Por isso é que devemos continuar, na Universidade e fora dela, conversando com a população, debatendo e construindo um país de jovens que se organizam, de fato, em uma nova forma política: horizontal, representativa e acolhedora.

Governança da Internet socialmente inclusiva

A Governança da Internet (GI) possui papel protagonista na elaboração, construção e propagação do desenvolvimento das Tecnologias de Rede, como as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Estas tecnologias são responsáveis pelo desenvolvimento industrial, principalmente, mas, agora também, dos desenvolvimentos sustentáveis, inclusivos, sociais, comunitários, tecnológicos, políticos, jurídicos e educacionais.

A partir do crescimento do acesso às TR, que hoje alcança grande parte do território brasileiro através das tecnologias móveis, vemos a ainda mais importante função da GI em orientar e enriquecer o aprimoramento das tecnologias, a fim de que alcancemos um panorama onde as TR sirvam a um de seus grandes papéis: impulsionar a sociedade para a evolução social.

Porém, na prática, todo esse desenvolvimento ainda engatinha, pois é barrado por limitações jurídicas e econômicas. De fato, a GI tem o imenso e árduo dever de cobrar e executar políticas no sentido de colocar em prática o desenvolvimento e garantir o direito à Inclusão Sociodigital que, segundo Torres, “comporta dimensões dos direitos de liberdade e dos direitos sociais, consequentemente, e não pode classificar-se com precisão como um ou outro, mas sim como um e outro.”

Conquanto, para habilitar o desenvolvimento das TR e os devidos acesso à Internet e inclusão sociodigital, é necessário que propostas e projetos de inclusão sejam incentivadas e investidos, respectivamente. Isso acontece por meio de incentivo financeiro, mas também através da democratização do conhecimento, como proposto por este programa, pelo próprio SIG Observatório da Juventude e por programas de extensão das Universidades (e.g. Núcleo de Cidadania Digital – UFES).

Infelizmente, no atual contexto histórico e político, vemos países caminhando no rumo aposto, como Brasil, Coreia do Norte e Síria. Por aqui, somos surpreendidos pelos retrocessos encabeçados pelos três poderes, que nos golpeiam periodicamente, ao interferirem na atuação de organizações públicas (como o próprio CGI) e na liberdade de expressão e acesso à informação por meio da Internet.

Principalmente devido a este período conturbado, iniciativas de inclusão que promovam o desenvolvimento social precisam se reformular com o objetivo de garantir sua sustentabilidade, evidenciando-a em seus significados de economicidade e autofinanciamento. Lamentavelmente, devido ao seu caráter libertador, não sendo assim uma política pública essencial ao Governo, as iniciativas que atuam com inclusão social e governança da Internet devem se ressignificar e se tornar autossustentáveis.

Concluindo, a Internet é central para garantia das: Liberdade de expressão, pois disponibiliza inúmeras ferramentas de propagação de opinião e relatos, sejam eles de repressão ou de libertação; Produção de conhecimento, visto que promove o acesso à informação e facilita a troca de conhecimentos entre os mais diversos atores da sociedade; e Governança democrática, já que proporciona vias, por vezes, não hegemônicas de expressão, aprendizado e desenvolvimentos inclusivo e sustentável.

Esse texto é fruto da primeira fase do programa Youth@IGF 2016, organizado pelo Comitê Gestor da Internet, como resposta à pergunta: Como a Governança da Internet pode habilitar o Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo?

Vai votar

Todo ano tem manifestação, greve, truculência por parte da polícia e agora até tivemos um golpe. Sinto que o cenário político brasileiro só tende a piorar, como se a coisa já não estivesse ruim. Mas por que as coisas só pioram e na hora das eleições nada muda?

Não há militância política que dê conta de disputar campanha e debate com candidatos financiados por empresas privadas, governos etc. Já é bem nítida a relação entre investimento de campanha e as reais chances de eleição, quem se elege é quem tem muito dinheiro para campanha e a população é responsável por isso. É responsável porque vota por amizade, ser conhecido, propaganda e, numa parcela absurda dos casos, troca de favores.

Agora, há que culpabilizar o/a cidadão pobre que vê naquela ajuda do candidato como a sua única saída para ter o seu telhado arrumado, a parede rejuntada e um prato cheio de comida? Há de culpar o Estado, pois nossos representantes preferem fazer esse tipo de ação ao invés de propor e executar políticas públicas que beneficiem a população, sem interesse paralelo, sem intenção de “amarrar votos“. E como saímos dessa?

 

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Quem nunca? Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Educação é a resposta para tudo. Enquanto tivermos esse tipo de “representante” sendo eleito/a, não podemos esperar que mudanças aconteçam. É necessário se colocar à frente dessa mudança, nem que seja em pequena escala, e conectar a população pobre, marginalizada e analfabeta ao conhecimento, à problematização e ao que lhes é de direito: porque a resistência eles/as já fazem – uma sala de aula pode mudar o mundo.

 

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Por isso, nessa eleição, apoiei, apoio e votarei em candidatos que representam uma nova política, que realizaram campanhas autofinanciadas, que são professores, que entendem a nossa educação deficitária e sabem quais são as propostas que devem ser implantadas para melhoria da qualidade de vida da população: em Vitória, Professor Nelsinho 13.013; em Guarapari, José Amaral 50 e Luiz Gustavo Merigueti 50.420.

No mais, peço que votem com base numa postura política bem estruturada, em pessoas que representam a sua luta diária em prol de uma sociedade melhor, não vote em quem tem ficha suja (pra quê lei se ela é subvertida, Edson Magalhães?), não tem propostas (alguém já ouviu o Amaro Neto descrever uma proposta?) e representa os interesses do governo golpista de Paulo Hartung e das grandes empresas de nosso estado (candidatos do PMDB, Lelo, Amaro etc).

Chega de crime ambiental! Chega de mortes no trânsito! Chega de ensino público precário! Vote consciente.

Apaixonar

Sabe aquela coisa de Apaixonar?

De sentir o calafrio e
de querer dar bom dia.
Que dá arrepio,
da nuca à espinha.

Agora eu não sei,
exatamente,
o que fazer.
Tô tentando viver.

Seu sorriso
aquele “defeito
que só você tem.

Chega devagarin,
como quem quer nada,
quando tu vem.

Eu não sei,
você também.
Vamos viver (bem)?

Saudades, vovó!

Hoje é um triste dia, que marca o “até logo” pra a mulher de mais fibra que já conheci na vida. Forte, guerreira, decidida e carinhosa. Era de falar mesmo, de resolver o problema e pronto. Sem meias palavras, educou as/os suas/seus sete filhos e quatro filhas, ajudou a criar os/as netos/as e gostava de ajudar todo mundo que passasse na sua varanda. Sem dúvidas um exemplo de vida.

Fico triste também por não ter te visto nesses dias, mas fico feliz por ter feito o máximo que pude. Nunca vou esquecer a sensação de abdicar das festas do fim de ano pra ter a oportunidade de ser a primeira pessoa a lhe desejar aquele Parabéns digno de churrasco no beco. Passamos por muitos perrengues, muita dor e muito zelo; sei que todos nós aprendemos muita com isso. Mas tudo o que se faz de bom volta, vó! Todo esse amor vai ser passado pras nossas próximas gerações, delas pras próximas e assim vamos!

Nunca vou esquecer a Vovó Lilia! Aquela que preparava a melhor combinação de moqueca capixaba, feijão ralado e pirão do mundo! Agora até sinto aquele gosto de alho, da sua mão que temperava a comida, ao vir pra mim, com uns 7 anos, e dizer: “Deixa eu ver esse dente?” Rs. Sabia identificar em apenas uma passada de olho quem é que estava de castigo, tinha brigado ou aprontado, se estava doente, com fome ou angustiado. Cafezinho pontual pela manhã. Forte na queda, já viveu muita coisa até chegarmos aqui. Dê um beijo no vovô por mim.

Hoje eu aprendo que as pessoas se vão a qualquer momento, geralmente quando menos se espera. Então que aproveitemos a nossa vida, com confiança, zelo, amor, carinho e sinceridade!

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Vó, eu te amo tanto!

Quando será o dia do Estudante?

Depois de mais um dia típico da atual rotina de estudante, chegando cedo e saindo tarde da Universidade, sem bolsa e nem emprego (como ter emprego em curso Integral?), me pego a refletir, em pleno 11 de Agosto, Dia do Estudante: quando será o dia do estudante?

Quando será que os e as estudantes das Universidades e Escolas Públicas terão força e vez? Quando será que nosso poder de decisão sobre as ações dessas instituições de ensino realmente terão a devida representatividade?

Aí fica a dúvida martelando na cabeça: quando foi que alguém, como forma de respeito e reconhecimento, te chamou como Estudante Maria ou Estudante João? Agora, quantas vezes se ouviu um Doutor Fulano, Advogado Beltrano ou Professor Ciclano?

Em meio a mais um dia de atuação na representação discente do Conselho Universitário da Ufes, volta a sensação de impotência, afinal, mesmo nós sendo mais de 25 mil nessa Universidade, éramos 5 no Conselho. Mesmo sendo a imensa maioria, temos o mesmo poder de voto, nas eleições à Reitoria por exemplo, que os professores e técnico-administrativos – podem 15 mil estudantes votarem que ainda assim teremos a mesma proporção na contagem de votos que os cerca de 1,2 mil professores da última eleição. Mesmo sendo a base do ensino regular da Universidade, vivemos a dificuldade de encontrar quem goste de dar aula para os cursos de graduação ao invés de orientar pós-graduandos para fazer pesquisa.

Sempre sendo refém de uma assinatura, uma liberação, ao passo que desenvolvemos certos projetos com mais afinco do que qualquer um.

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Vale lembrar que o dia 11 foi escolhido como tal pois foi nesta data em que foram criados os dois primeiros cursos de nível superior no país: Ciências Jurídicas e Ciências Sociais, no ano de 1827, por decreto de D. Pedro I. Antes disso, quem quisesse cursar o ensino superior teria que ir até a Europa. Dessa forma, somente pessoas de famílias ricas tinham esse privilégio, fato que acentuava ainda mais as diferenças sociais no Brasil, mas não se diferenciam muito da realidade atual. O dia de hoje marca também a criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1937.

Com isso tudo, não pretendo desmerecer as demais profissões, pelo contrário, pretendo reconhecer o título de Estudante como algo que seja honrado e se torne, quem sabe um dia, motivo de orgulho para nós, Estudantes que enfrentamos muitas dificuldades, com frequência resolvemos problemas que não deveriam ser de nossa alçada e diariamente lutamos por uma melhoria na qualidade de ensino e em nossa sociedade.

Para nós, um Feliz dia do e da Estudante!

A Dialética da Natureza

A Dialética da Natureza é uma obra inacabada escrita por Friedrich Engels, provavelmente entre 1972 e 1982. Muito do que por ele foi afirmado se mostrou, a posteriore, um equívoco, visto que os avanços científicos da época em que os manuscritos foram feitos antecederam muitos avanços tecnológicos importantes, mas, ainda assim, com uma capacidade incrível, Engels previu muitas descobertas e antecipou muitos pensamentos.

Pessoalmente, foi uma leitura difícil, visto que o linguajar utilizado pela edição traduzida, em 1977, em sua maioria do alemão para o português, trás consigo uma abordagem da língua culta e de conceitos científicos. Enfim, depois de quase dois anos, consegui encarar e terminar a leitura. Muito por isso, me motivei a propagar os trechos que mais me chamaram a atenção – e assim o farei também com outras leituras futuras:

Torna-se evidente que, em princípio, a identidade de um ente qualquer consigo mesmo, requer, como complemento, a diferença com tudo mais. (p. 133)

Todo equilíbrio é apenas temporário e relativo. (p. 138)

Os homens de ciência acreditam que se libertam da filosofia, ignorando-a ou insultando-a. No entanto, não pode fazer progresso algum sem pensar; e, para pensar, necessitam de certas determinações mentais. Mas a verdade é que recebem essas categorias sem refletir, da consciência comum das pessoas chamadas cultas, aquelas justamente que estão dominadas por um resto de filosofia há muito tempo caduca; ou então por esse pouquinho de filosofia escutada à força nas Universidades (filosofia não só fragmentada mas constituída de uma miscelânea de opiniões de gente que pertence às mais variadas e geralmente piores escolas) […]. (p. 147)

Clausius (caso esteja certo) demonstra que o universo foi criado; portanto, que a matéria é criável; portanto, que é destrutível; portanto, que também a força ou o movimento é criável e destrutível; portanto, que toda a teoria da conservação da força é um disparate; portanto, que todas as consequências daí recorrentes, são também disparatadas. (p. 161)

[…] Mas quanto mais se verifica isso, tanto mais os homens se sentirão unificados com a Natureza e tanto mais terão a consciência disso, tornando-se cada vez mais impossível sustentar essa noção absurda e antinatural que estabelece a oposição entre espírito e matéria, entre o homem e a Natureza, entre a alma e o corpo, concepção que surgiu na Europa depois da decomposição da antiguidade clássica e que adquiriu sua mais acentuada forma na doutrina do cristianismo. (p. 224)

Para quem está no século XXI, o livro é uma grande viagem. Muitas afirmações parecem verdadeiras, mas a ciência atual diz que não. De toda forma, a abordagem dialética do estudo das ciências naturais e sociais empregadas por Engels, e muito baseada e questionadora das obras de Hegel, mostra um lado filosófico da construção de muitas das descobertas que hoje temos como Lei científicas.

A sua leitura instiga a capacidade de criação e reflexão: será que nós, detentores de tanto acúmulo científico e cultural, não podemos alcançar uma leitura mais baseada na dialética do que nas Leis pré-definidas? Será que, assim como Engels, não podemos ser mais críticos diante do que nos foi colocado e questionar todas essas afirmações a fim de construir novos avanços?

Referência: Engels, Friedrich. A Dialética da Natureza. Rio de Janeiro, Paz e Terra S/A, 2000. 6ª. ed. 240 p. (Pensamento Crítico vol. 8).

Cuidado: bicicleta tem limites

Nos últimos dias, principalmente após os últimos acontecimentos do mundo cicloativista de Vitória, ao transitar pelas vias, tenho percebido a necessidade de cautela aumentando. A cada pedalar o peso da responsabilidade aumenta. Afinal, fazer um movimento político, orgânico e sincero nunca será fácil: isso é ser cicloativista.

No dia 23 de julho sofri um pequeno acidente, que não foi coincidência e me lembrou: bicicleta também machuca! Talvez por já ter esquecido dos tempos de criança, quando a cada dia era um tombo diferente, a certeza nos tira o medo, e viver sem medo te faz tender a ser menos cuidadoso. Se liga na foto de como ficou o aro traseiro (parede dupla, hein) da minha bicicleta, sem contar os arranhões e algumas coisas avariadas dentro da mochila.

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Lá se vai o segundo aro em um semestre

Por isso, resta a mim elencar algumas obviedades, por enquanto só 5, que com o tempo esquecemos:

  • Nunca pedale na contra mão!

Primeiro que é contra o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Artigo 58. Segundo, de que adianta você conseguir ver o que vai te atingir (acredite, muita gente diz que anda na contramão pra isso) se a violência do impacto será dobrada simplesmente pelo fato de que você está indo de encontro ao que pode te matar? Fisicamente não faz sentido, judicialmente é ilegal e você não é super herói. Apenas ande na via.

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

BORDO DA PISTA – margem da pista, podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos.

Observe que o ciclista pode andar nos bordos da pista, ou seja, tanto na lado direito quanto no esquerdo da pista. É claro que a pista da esquerda é geralmente a mais rápida, então evitá-la é uma boa, mas sendo necessário, não se acanhe, sinalize sua mudança de pista, é seu direito!

  • Nunca pedale próximo ao meio fio!

Pedalar junto ao meio fio é quase um atestado de óbito para quem anda de bicicleta na Grande Vitória, considerando os buracos nas vias, as valetas, as tampas de bueiro e, principalmente, o desrespeito dos motoristas ao realizarem ultrapassagens sem garantir distância de 1,5 metro (art. 201 do CTB).

Por isso, sempre ocupe a sua faixa da via. Se a via é de faixa única (como, por exemplo, a Av. Leitão da Silva durante os períodos infindáveis de obras) ocupe toda a via e não se estresse com as buzinadas. Se a via é dupla com acostamento utilizado pelos carros para estacionar, ocupe a via à esquerda dos carros estacionados.

O Vá de Bike escreveu um artigo muito bom com todas as grandes motivações para essa “ocupação” da via, dê uma lida aqui no: porque o ciclista deve ocupar a via.

  • Não pedale bêbado!

Apesar de ciclista não ter que fazer bafômetro, isso não é motivo para andar bebaço. Pense bem, se você não consegue manter o equilíbrio sozinho, como vai garantir que no caminho não irá se machucar e nem machucar alguém? Melhor fugir do arrependimento e, na dúvida, você busca a bike na casa de um amigo no dia seguinte.

  • Nunca pedale com fone de ouvidos!

Ouvir música e andar de bicicleta é ótimo, e é por isso que uso uma pequena bolsa presa no quadro da bicicleta, onde coloco o celular e ouço música. Tenho amigos que carregam uma caixa de som na bicicleta (que nos diga o famoso Bike Som do Tiê Pordeus), mas ouvir música com fone é se abstrair de tudo o que acontece à sua volta. Alguém pode frear bruscamente, alguém pode gritar te avisando de algo ou buzinar e você só irá perceber quando estiver no chão.

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Bike Som do Tiê lá em João Pessoa

  • Ciclovia não é velódromo!

Ciclovia não tem velocidade máxima, e nem precisa, né? Principalmente nas ciclovias perto de casas e calçadão, onde sempre tem alguma criança brincando que pode atravessar sem te ver. Aí já era, se você acerta uma criança ou idoso, além de se machucar muito, pode causar um grande trauma na vítima. Tenha consciência! Se você quer treinar o ciclismo – como por aqui não temos um velódromo – utilize uma via com um grande acostamento e longe de casas e de transeuntes. Te garanto que o pior treino não será o lento, será o qual você fere alguém.

Bem, por ora é isso. Você pode até não concordar com tudo isso, mas tem algo que certamente você concorda: ficar sem poder pedalar (viver) é muito pior.

Bom pedal!😉