SOS

Socorro!!!

Não aguento mais essa prisão!

No domingo quem aproveitou foi o povão.
Microondas, ventilador
e tudo mais que não dá pra comprar
mesmo quando tem saldão.

As vidraças e o prejuízo
(a quem sempre prejudicou a nação)
nem me preocupam demais.
Mas e a perda daquela família
com o mais novo de 17 estirado no chão?

Não posso sair de casa.
Dizem que quem estiver na rua vão matar
que agora ela é lugar de ladrão.
Sabe como é
coisa de quadrilha que veste preto
filhos da descriminação.

Dar uma volta só pela manhã
na tentativa de ver o sol
tomar um ar
E comprar o tão sonhado pão.

Enquanto isso a periferia
(mais do que nunca)
continua morrendo.
A TV jorra sangue

e não é mais só no Datena
É 24h esse maligno plantão!

A mentira tomou conta
e a novidade é que agora
não passa só no ES TV 1ª Edição.

Num estado que sempre foi campeão
em violência contra mulher jovem negro
Dizem que a segurança volta com o Exército
que quando passa
(repisa-se, em bairro nobre)
recebe saudação.

A violência não vai acabar, meu irmão!

A PM sempre se lixou pro povão.
O Governo só sabe investir nos empresários
pouco se importa com a Educação.
(e pra dizer que não faz algo
inventou esse tal de Ocupação)
Mas sobe o morro pra largar o ferro
e é o real culpado pelo DML em lotação.

Com PH é assim
(diz ele que tem um império)

e se tu não é
Arcellor Odebrech Vale e Tubarão
NUNCA TEM NEGOCIAÇÃO.

Paulo Hartung e a estratégia anti-negociação

O Governo de PH é estratégico e inteligente, mas repetitivo. Em todos os processos de manifestação pelo ES a prática se repete: (i) a ação direta e paralisação eclodem a partir dos movimentos paredistas, (ii) o governo faz vista grossa, aguarda o esvaziamento do movimento e apela às suas mídias financiadas, caso contrário, (iii) organiza um movimento de repressão violento e (iv) interpõe multas e sanções para finalizar o movimento na tentativa de evacuar e de cortar as lideranças. É sempre a mesma coisa: só negociamos quando não houver manifestação/paralisação. Ou seja, não se sintam especiais, nunca há negociação.

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“Fala com meu Secretário.”

Em relação à greve da Polícia Militar – que obviamente não é uma greve das famílias dos militares, é algo que parte de dentro para fora dos Batalhões -, chegamos à última fase do processo de “negociação” dos secretários do Governo do ES: colocar a população contra o movimento grevista.
É nítido que colocar a população contra a greve da PM é algo simples. A polícia que mata inocente, aborda e persegue preto e pobre onde puder existir. Se de um lado sua ausência demonstra a fragilidade em nossa educação e consciência coletiva, por outro, demonstra que o problema central da segurança pública não é a existência de um órgão regulatório central, mas sim a junção de diversos fatores oriundos das políticas públicas desse governo: precarização, má gestão da educação pública e desigualdade social. A ausência da PM nas ruas aumenta a sensação de insegurança, mas a presença dela não estabelece sequer um sentimento de tranquilidade. Isso nem na Praia do Canto – a fanfic do Exército e das panelas – e muito menos nos morros. Não se trata, como muitos têm gostado de argumentar, de “chamar o Batman” – o que seria muito preferível – e sim, se trata de que constitucionalmente a função da Polícia Militar não é de proteger o povo, mas de proteger os aparelhos do Estado.
A falta de consciência política e coletiva explode com o surgimento dos grupos de “justiceiros”, que prometem segurança a partir de uma violência desmedida e cega. Vejamos, isso não é segurança! Isso é o racismo e o fascismo se alastrando em busca de algo que, dessa forma, nunca vai encontrar: paz.
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Famílias de militares em frente ao Quartel do Comando Geral da PM em Vitória

O Governo do ES e Paulo Hartung, uma hora, vão aprender que política se faz com flexibilidadediscernimento e que agir como crianças mimadas, que batem o pé e só sentam à mesa de jantar quando o primo pobre devolve seu pirulito, não trará melhorias para o ES. Ou preferirão aprender pela dor, pela dor de ver a sua taxa de rejeição aumentando e o ES numa guerra sangrenta?

Se o algarismo 8(%) [1] é tão importante para esse (des)governo, será necessário chegar à qual número para que se toquem disso? Já estamos no 90.

[1] http://vitorianews.com.br/politica/noticia/2016/12/governador-paulo-hartung-equilibra-financas-paga-todas-as-contas-e-fecha-2016-com-r-40-milhoes-em-caixa-131825.html

A luz

A luz
A matéria
A desigualdade.
Tudo isso já existia
muito antes
de pensarmos ser alguém de verdade.

A luta
A revolução
E os golpes.
Isso tudo se aplica
por maiorias poderosas
desde que o ser humano anda a galopes.

Diante disso: o que fazer?

Chorar? Gritar? Morrer?
Desistir? Descansar? Esquecer?

Eu não sei.
Talvez nem você.

Só sei quem eu sou e de onde vim
o que almejo e quero fazer.

A mudança principia em nossas mãos.
É isso o que posso dizer.

2017 em Metas

Rumo à 2017, concluindo o segundo ano desse blog que vos fala e seguindo com o maior objetivo do Vassourinha de Conteúdo: incentivar a produção independente de conteúdos informativos e o empoderamento social!

Em comparação com as Metas de 2016, dá pra ver facilmente que não chegamos às 100 postagens e muito menos fizemos um vlog. Mas no último ano alcançamos mais de 2.500 visitantes, o que supera as expectativas e fecha pelo menos uma das metas. Nesse quesito, tivemos então um aumento de 325% em relação à 2015. Oba!

Então é seguir com mais um ano de produção, mantendo a ideia de passar o 100º texto e, agora, chegar também à visita de número 5000!

Para adiantar a vida de amigues, se liga e compartilha o Vassourinha por aí. Vai que assim ninguém precise de pesquisar coisas loucas pra encontrar o blog! 😉

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Cicloativismo: coisa de gente maluca! 🙂

Tenhamos um ótimo ano novo!

Que venha 2017!

Final de ano é sempre um momento importante, é quando nós paramos – ou deveríamos – para refletir sobre o que fizemos e como estivemos durante o ano que passou. Mas em se falando de 2016, torna-se cada vez mais difícil a energização em torno de coisas boas, afinal esse ano marca muitas alterações que terão impacto em nossas vidas por longos anos. O que não significa que isso seja impossível, já tentou parar para avaliar todas as coisas e pessoas boas que surgiram na sua vida em 2016?

E é bem por isso que devemos mudar de estratégia: ao invés de culpar, objetificar ou animizar o ano de 2016, precisamos de entender que tudo o que aconteceu ou que está prestes a acontecer faz parte de uma agenda extensa, principalmente em relação aos processos políticos, econômicos e sociais – que estão sendo pensados há anos e que se almejam para o futuro próximo. Já pensamos que 2016 pode ser fichinha perto do que podemos vivenciar em 2019 com o resultado das eleições de 2018? Isso só para falar da política, e ainda de maneira superficial.

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Vem pedalando, 2017!

Ou seja, tudo faz parte de uma consequente e contínua construção. Não haverá um ano bom adiante se previamente não nós tornarmos melhores, mais fortes e menos egoístas. Por exemplo, quando 2016 começou eu estava no hospital com minha vó, a situação piorou e infelizmente hoje não posso passar o 1º dia de 2017 (quando ela faria 92 anos) fisicamente com vovó, mas isso não significa que estarei longe dela, pelo contrário.

Apesar dos pesares, precisamos de entender que o ano passa, a nossa vida também, e o que fica são nossas atitudes (ou a falta delas). Portanto, para construirmos um novo ano, que realmente seja diferente, que faça bem às pessoas desse país e que se prepare para o porvir, precisamos de estar à frente das mudanças, presente em nossas famílias e na sociedade e com muito gás – porque o de pimenta da Polícia nós já percebemos que é difícil de acabar. rs

E pra fechar com um sentimento que me acompanha desde o início do ano, parafraseando Ernesto Guevara: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.” Que nos fortaleçamos enquanto nos tornemos seres mais sensíveis!

Feliz ano novo! Feliz 2017! Viva!

Solidão

Pode até parecer
que estamos
todes sozinhos.
Pode até ser
que estejamos perdidos.
Mas a solidão constrói
ao passo que derruba.
Ela fere mas cura.

A solidão é o bem
e é o mal.
É o viver bem
com ninguém
além de si mesmo.

A solidão é fera.
Monstro de dor
e compaixão.
A solidão que fere
e aperta o coração.

A sol y dão
é luz no fim do túnel.
Momento de reflexão
entendimento e autocompreensão.

É nada mais do que
estar bem consigo mesmo.
Lembrar de seus querides
e de quem tu és
pra não sair a esmo.

A solidão é força.
A solidão é luta.
A solidão é coisa.
A solidão é luz.

A solidão pode ser a solução.

Ocupa a via e a escola!

Desde que soube das ocupações e pude ter o primeiro contato, fiquei besta e me surpreendi com a organicidade das/os secundas, como já disse no texto Ocupação. De lá pra cá, me incubi a missão de ajudar ao máximo possível. Primeiro falei com todas/os amigas/os professoras/es. Depois percebi que eu também podia contribuir com mais do que noites sem dormir.

Primeira ação: ajudar num debate sobre Empoderamento feminino no pedal pra EEEFM Almirante Barroso. É claro que eu não consigo pautar esse tema, mas rola de ajudar as minas na infraestrutura, nas dicas sobre pedal, na oficina de manutenção e no ouvido. Cada um com um pouco e o todo se torna o bastante!

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Empodere-se, mulherada 🙂

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Noran da Massa

Aí começou outra labuta, passando de bicicleta com a galera por algumas escolas, conversando e levando apoio. Aí não teve jeito, papo vai, papo vem, segundo dia de ocupação da EEEM Professor Fernando Duarte Rabelo e precisando de gente para construir um espaço, fechando a agenda do dia seguinte: lá vou eu e Marllon falar sobre Educação e Trânsito, em nome do Movimento Ciclistas Urbanos Capixabas.

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Roda sobre Educação e Trânsito na EEEM Professor Fernando Duarte Rabelo

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É engraçado como é tão diferente falar sobre mobilidade para a galera das escolas públicas, que realmente usa a bicicleta como meio transporte. Lembro da época que aprendi a ir sozinho de bike para a escola, isso empondera, fortalece e é resistência!

Queria eu que a sociedade como um todo parasse e aprendesse a ouvir, com essa garotada das escolas ocupadas que se coloca a disposição de manter sua luta e sua educação. Queria eu que professores e estudantes da Universidade, em sua totalidade, entendessem que o conhecimento que adquirimos na vida e na academia não é nosso, é do povo. E, portanto, que façamos o necessário para transmiti-lo!

E você, já fez a sua parte hoje?

OcupAção!

Nos últimos dias, o que mais tenho ouvido, principalmente dentro da Universidade, é: estou cansado, estamos desorganizados e precisamos de aprender com as/os secundaristas. Nesse sentido, é necessário uma reavaliação, de todes nós. O que está acontecendo no país? O que eu li na TV e na Internet é verdade? Aquele/a colega tinha base pra afirmar aquilo? Então, qual o nosso papel nesse momento?

Todxs nós temos dificuldades: trabalho, escola, estudos, trânsito, etc. Todes nós estamos cansados, mas, mais do que nunca, esse momento pede união e consciência coletiva; só assim iremos conseguir mantermo-nos na luta e na labuta do dia a dia. Meio a isso, vemos as/os famosos militantes de Internet tendo que realizar transmissões alternativas e que debater diuturnamente para desconstruir informações equivocadas, porque a ditadura não é só da televisão, é na Internet também.

E refletindo e aprendendo com as/os secundaristas, as coisas tem ficado mais entendíveis. Não basta a luta na Internet, mas ela tem o seu papel. Não basta a luta individual diária, mas ela tem o seu papel. Não basta a luta coletiva, e ela precisa de seu apoio.

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Fonte: Ocupa Almirante (página no Facebook)

Nos últimos dias temos passado pelas escolas ocupadas de Vitória, dando apoio, tempo e ideias. Muitas/os fazem o mesmo pelas quase 50 escolas ocupadas no ES. Por isso é que devemos continuar, na Universidade e fora dela, conversando com a população, debatendo e construindo um país de jovens que se organizam, de fato, em uma nova forma política: horizontal, representativa e acolhedora.

Governança da Internet socialmente inclusiva

A Governança da Internet (GI) possui papel protagonista na elaboração, construção e propagação do desenvolvimento das Tecnologias de Rede, como as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Estas tecnologias são responsáveis pelo desenvolvimento industrial, principalmente, mas, agora também, dos desenvolvimentos sustentáveis, inclusivos, sociais, comunitários, tecnológicos, políticos, jurídicos e educacionais.

A partir do crescimento do acesso às TR, que hoje alcança grande parte do território brasileiro através das tecnologias móveis, vemos a ainda mais importante função da GI em orientar e enriquecer o aprimoramento das tecnologias, a fim de que alcancemos um panorama onde as TR sirvam a um de seus grandes papéis: impulsionar a sociedade para a evolução social.

Porém, na prática, todo esse desenvolvimento ainda engatinha, pois é barrado por limitações jurídicas e econômicas. De fato, a GI tem o imenso e árduo dever de cobrar e executar políticas no sentido de colocar em prática o desenvolvimento e garantir o direito à Inclusão Sociodigital que, segundo Torres, “comporta dimensões dos direitos de liberdade e dos direitos sociais, consequentemente, e não pode classificar-se com precisão como um ou outro, mas sim como um e outro.”

Conquanto, para habilitar o desenvolvimento das TR e os devidos acesso à Internet e inclusão sociodigital, é necessário que propostas e projetos de inclusão sejam incentivadas e investidos, respectivamente. Isso acontece por meio de incentivo financeiro, mas também através da democratização do conhecimento, como proposto por este programa, pelo próprio SIG Observatório da Juventude e por programas de extensão das Universidades (e.g. Núcleo de Cidadania Digital – UFES).

Infelizmente, no atual contexto histórico e político, vemos países caminhando no rumo aposto, como Brasil, Coreia do Norte e Síria. Por aqui, somos surpreendidos pelos retrocessos encabeçados pelos três poderes, que nos golpeiam periodicamente, ao interferirem na atuação de organizações públicas (como o próprio CGI) e na liberdade de expressão e acesso à informação por meio da Internet.

Principalmente devido a este período conturbado, iniciativas de inclusão que promovam o desenvolvimento social precisam se reformular com o objetivo de garantir sua sustentabilidade, evidenciando-a em seus significados de economicidade e autofinanciamento. Lamentavelmente, devido ao seu caráter libertador, não sendo assim uma política pública essencial ao Governo, as iniciativas que atuam com inclusão social e governança da Internet devem se ressignificar e se tornar autossustentáveis.

Concluindo, a Internet é central para garantia das: Liberdade de expressão, pois disponibiliza inúmeras ferramentas de propagação de opinião e relatos, sejam eles de repressão ou de libertação; Produção de conhecimento, visto que promove o acesso à informação e facilita a troca de conhecimentos entre os mais diversos atores da sociedade; e Governança democrática, já que proporciona vias, por vezes, não hegemônicas de expressão, aprendizado e desenvolvimentos inclusivo e sustentável.

Esse texto é fruto da primeira fase do programa Youth@IGF 2016, organizado pelo Comitê Gestor da Internet, como resposta à pergunta: Como a Governança da Internet pode habilitar o Desenvolvimento Sustentável e Inclusivo?