Quando será o dia do Estudante?

Depois de mais um dia típico da atual rotina de estudante, chegando cedo e saindo tarde da Universidade, sem bolsa e nem emprego (como ter emprego em curso Integral?), me pego a refletir, em pleno 11 de Agosto, Dia do Estudante: quando será o dia do estudante?

Quando será que os e as estudantes das Universidades e Escolas Públicas terão força e vez? Quando será que nosso poder de decisão sobre as ações dessas instituições de ensino realmente terão a devida representatividade?

Aí fica a dúvida martelando na cabeça: quando foi que alguém, como forma de respeito e reconhecimento, te chamou como Estudante Maria ou Estudante João? Agora, quantas vezes se ouviu um Doutor Fulano, Advogado Beltrano ou Professor Ciclano?

Em meio a mais um dia de atuação na representação discente do Conselho Universitário da Ufes, volta a sensação de impotência, afinal, mesmo nós sendo mais de 25 mil nessa Universidade, éramos 5 no Conselho. Mesmo sendo a imensa maioria, temos o mesmo poder de voto, nas eleições à Reitoria por exemplo, que os professores e técnico-administrativos – podem 15 mil estudantes votarem que ainda assim teremos a mesma proporção na contagem de votos que os cerca de 1,2 mil professores da última eleição. Mesmo sendo a base do ensino regular da Universidade, vivemos a dificuldade de encontrar quem goste de dar aula para os cursos de graduação ao invés de orientar pós-graduandos para fazer pesquisa.

Sempre sendo refém de uma assinatura, uma liberação, ao passo que desenvolvemos certos projetos com mais afinco do que qualquer um.

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Vale lembrar que o dia 11 foi escolhido como tal pois foi nesta data em que foram criados os dois primeiros cursos de nível superior no país: Ciências Jurídicas e Ciências Sociais, no ano de 1827, por decreto de D. Pedro I. Antes disso, quem quisesse cursar o ensino superior teria que ir até a Europa. Dessa forma, somente pessoas de famílias ricas tinham esse privilégio, fato que acentuava ainda mais as diferenças sociais no Brasil, mas não se diferenciam muito da realidade atual. O dia de hoje marca também a criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1937.

Com isso tudo, não pretendo desmerecer as demais profissões, pelo contrário, pretendo reconhecer o título de Estudante como algo que seja honrado e se torne, quem sabe um dia, motivo de orgulho para nós, Estudantes que enfrentamos muitas dificuldades, com frequência resolvemos problemas que não deveriam ser de nossa alçada e diariamente lutamos por uma melhoria na qualidade de ensino e em nossa sociedade.

Para nós, um Feliz dia do e da Estudante!

A Dialética da Natureza

A Dialética da Natureza é uma obra inacabada escrita por Friedrich Engels, provavelmente entre 1972 e 1982. Muito do que por ele foi afirmado se mostrou, a posteriore, um equívoco, visto que os avanços científicos da época em que os manuscritos foram feitos antecederam muitos avanços tecnológicos importantes, mas, ainda assim, com uma capacidade incrível, Engels previu muitas descobertas e antecipou muitos pensamentos.

Pessoalmente, foi uma leitura difícil, visto que o linguajar utilizado pela edição traduzida, em 1977, em sua maioria do alemão para o português, trás consigo uma abordagem da língua culta e de conceitos científicos. Enfim, depois de quase dois anos, consegui encarar e terminar a leitura. Muito por isso, me motivei a propagar os trechos que mais me chamaram a atenção – e assim o farei também com outras leituras futuras:

Torna-se evidente que, em princípio, a identidade de um ente qualquer consigo mesmo, requer, como complemento, a diferença com tudo mais. (p. 133)

Todo equilíbrio é apenas temporário e relativo. (p. 138)

Os homens de ciência acreditam que se libertam da filosofia, ignorando-a ou insultando-a. No entanto, não pode fazer progresso algum sem pensar; e, para pensar, necessitam de certas determinações mentais. Mas a verdade é que recebem essas categorias sem refletir, da consciência comum das pessoas chamadas cultas, aquelas justamente que estão dominadas por um resto de filosofia há muito tempo caduca; ou então por esse pouquinho de filosofia escutada à força nas Universidades (filosofia não só fragmentada mas constituída de uma miscelânea de opiniões de gente que pertence às mais variadas e geralmente piores escolas) […]. (p. 147)

Clausius (caso esteja certo) demonstra que o universo foi criado; portanto, que a matéria é criável; portanto, que é destrutível; portanto, que também a força ou o movimento é criável e destrutível; portanto, que toda a teoria da conservação da força é um disparate; portanto, que todas as consequências daí recorrentes, são também disparatadas. (p. 161)

[…] Mas quanto mais se verifica isso, tanto mais os homens se sentirão unificados com a Natureza e tanto mais terão a consciência disso, tornando-se cada vez mais impossível sustentar essa noção absurda e antinatural que estabelece a oposição entre espírito e matéria, entre o homem e a Natureza, entre a alma e o corpo, concepção que surgiu na Europa depois da decomposição da antiguidade clássica e que adquiriu sua mais acentuada forma na doutrina do cristianismo. (p. 224)

Para quem está no século XXI, o livro é uma grande viagem. Muitas afirmações parecem verdadeiras, mas a ciência atual diz que não. De toda forma, a abordagem dialética do estudo das ciências naturais e sociais empregadas por Engels, e muito baseada e questionadora das obras de Hegel, mostra um lado filosófico da construção de muitas das descobertas que hoje temos como Lei científicas.

A sua leitura instiga a capacidade de criação e reflexão: será que nós, detentores de tanto acúmulo científico e cultural, não podemos alcançar uma leitura mais baseada na dialética do que nas Leis pré-definidas? Será que, assim como Engels, não podemos ser mais críticos diante do que nos foi colocado e questionar todas essas afirmações a fim de construir novos avanços?

Referência: Engels, Friedrich. A Dialética da Natureza. Rio de Janeiro, Paz e Terra S/A, 2000. 6ª. ed. 240 p. (Pensamento Crítico vol. 8).

Cuidado: bicicleta tem limites

Nos últimos dias, principalmente após os últimos acontecimentos do mundo cicloativista de Vitória, ao transitar pelas vias, tenho percebido a necessidade de cautela aumentando. A cada pedalar o peso da responsabilidade aumenta. Afinal, fazer um movimento político, orgânico e sincero nunca será fácil: isso é ser cicloativista.

No dia 23 de julho sofri um pequeno acidente, que não foi coincidência e me lembrou: bicicleta também machuca! Talvez por já ter esquecido dos tempos de criança, quando a cada dia era um tombo diferente, a certeza nos tira o medo, e viver sem medo te faz tender a ser menos cuidadoso. Se liga na foto de como ficou o aro traseiro (parede dupla, hein) da minha bicicleta, sem contar os arranhões e algumas coisas avariadas dentro da mochila.

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Lá se vai o segundo aro em um semestre

Por isso, resta a mim elencar algumas obviedades, por enquanto só 5, que com o tempo esquecemos:

  • Nunca pedale na contra mão!

Primeiro que é contra o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Artigo 58. Segundo, de que adianta você conseguir ver o que vai te atingir (acredite, muita gente diz que anda na contramão pra isso) se a violência do impacto será dobrada simplesmente pelo fato de que você está indo de encontro ao que pode te matar? Fisicamente não faz sentido, judicialmente é ilegal e você não é super herói. Apenas ande na via.

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

BORDO DA PISTA – margem da pista, podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos.

Observe que o ciclista pode andar nos bordos da pista, ou seja, tanto na lado direito quanto no esquerdo da pista. É claro que a pista da esquerda é geralmente a mais rápida, então evitá-la é uma boa, mas sendo necessário, não se acanhe, sinalize sua mudança de pista, é seu direito!

  • Nunca pedale próximo ao meio fio!

Pedalar junto ao meio fio é quase um atestado de óbito para quem anda de bicicleta na Grande Vitória, considerando os buracos nas vias, as valetas, as tampas de bueiro e, principalmente, o desrespeito dos motoristas ao realizarem ultrapassagens sem garantir distância de 1,5 metro (art. 201 do CTB).

Por isso, sempre ocupe a sua faixa da via. Se a via é de faixa única (como, por exemplo, a Av. Leitão da Silva durante os períodos infindáveis de obras) ocupe toda a via e não se estresse com as buzinadas. Se a via é dupla com acostamento utilizado pelos carros para estacionar, ocupe a via à esquerda dos carros estacionados.

O Vá de Bike escreveu um artigo muito bom com todas as grandes motivações para essa “ocupação” da via, dê uma lida aqui no: porque o ciclista deve ocupar a via.

  • Não pedale bêbado!

Apesar de ciclista não ter que fazer bafômetro, isso não é motivo para andar bebaço. Pense bem, se você não consegue manter o equilíbrio sozinho, como vai garantir que no caminho não irá se machucar e nem machucar alguém? Melhor fugir do arrependimento e, na dúvida, você busca a bike na casa de um amigo no dia seguinte.

  • Nunca pedale com fone de ouvidos!

Ouvir música e andar de bicicleta é ótimo, e é por isso que uso uma pequena bolsa presa no quadro da bicicleta, onde coloco o celular e ouço música. Tenho amigos que carregam uma caixa de som na bicicleta (que nos diga o famoso Bike Som do Tiê Pordeus), mas ouvir música com fone é se abstrair de tudo o que acontece à sua volta. Alguém pode frear bruscamente, alguém pode gritar te avisando de algo ou buzinar e você só irá perceber quando estiver no chão.

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Bike Som do Tiê lá em João Pessoa

  • Ciclovia não é velódromo!

Ciclovia não tem velocidade máxima, e nem precisa, né? Principalmente nas ciclovias perto de casas e calçadão, onde sempre tem alguma criança brincando que pode atravessar sem te ver. Aí já era, se você acerta uma criança ou idoso, além de se machucar muito, pode causar um grande trauma na vítima. Tenha consciência! Se você quer treinar o ciclismo – como por aqui não temos um velódromo – utilize uma via com um grande acostamento e longe de casas e de transeuntes. Te garanto que o pior treino não será o lento, será o qual você fere alguém.

Bem, por ora é isso. Você pode até não concordar com tudo isso, mas tem algo que certamente você concorda: ficar sem poder pedalar (viver) é muito pior.

Bom pedal!😉

22/07 e sempre

A vida passa rápido e a gente nem percebe. São muitas as experiências boas e ruins, aprendizados, lutas, felicidades e decepções. Mas não é para isso que estamos aqui?

O que vale de um corpo que apenas habita, sem vida é estar acrítico às mudanças de seu entorno. Sem vida é ser omisso aos seus erros e nunca repará-los. E o erros? O que seria da vida sem os erros? Há forma mais didática de aprendizado do que fazer uma besteira, se machucar ou afetar alguém e nunca mais querer repetir? De certo que não.

É nessa vida que estamos, vivendo, errando e aprendendo. É hoje que vamos fazer a mudança, refletir sobre o passado e projetar um futuro melhor para todos os que amamos e os demais que vivem em nossa sociedade (até mesmo quando estes insistem em não querer nosso auxílio e emparo). É a vida!

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Primeiramente, Fora Temer! Segundo, agradeço a cada dia pelas novas experiências, pessoas e conhecimento adquiridos durante esta curta e interessante caminhada. Agradeço aos que hoje estão do meu lado, esquerdo ou direito, aos que um dia já estiveram mas que em breve nos reencontraremos e aos que vigiam e zelam do outro lado, estes principalmente que nunca serão esquecidos e sempre estarão presentes!

Gratidão à todxs que hoje me felicitam! Os felicito em dobro, que sigamos com saúde e paz na mente!

Que assim seja vivida, com amor, respeito e educação! Sem golpes, rasteiras e remorsos! Com o poder do perdão e da felicidade é que seguiremos à frente e alcançaremos uma família, escola, cidade e país de inclusão e riqueza de empoderamento!

Só agradeço!🙂

SENID 2016

Em Abril desse ano tive a oportunidade de participar de um dos mais importantes eventos de Inclusão Digital do Brasil: o 4º Seminário Nacional de Inclusão Digital (SENID). Por lá, tive a felicidade de conhecer professores/as, pesquisadores/as, entusiastas e ativistas que lutam pela inclusão sociodigital nesse Brasil(zão).

Para começar, o evento é realizado no sul do país, na cidade de Passo Fundo (RS), mais especificamente na UPF, que a propósito é linda demais. Só consegui ir porque tivemos uma oficina aprovada e porque a Ufes me ajudou financeiramente nessa empreitada. Posso dizer que esse evento foi um dos grandes divisores de águas dos últimos tempos, academicamente e pessoalmente falando.

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Fonte: Facebook da UPF

Por lá, houveram Relatos de Experiência sobre projetos de extensão, iniciações científicas, trabalhos de conclusão de curso e teses de mestrado e doutorado que envolvem práticas relacionadas à inclusão sociodigital de indivíduos com necessidades especiais, adultos, crianças, jovens e idosos. Além de Mesas de Debate, Oficinas e apresentação de artigos. Ou seja, o evento tratou e discutiu a inclusão sociodigital em todos os seus âmbitos e públicos possíveis.

Pude conhecer a professora Bonilla (UFBA) e os professores Adriano Teixeira (UPF) e Nelson Pretto (UFBA), que são referências em inclusão digital no Brasil! Debater, conversar e aprender com eles/as foi essencial para reestruturar a visão de implantação prática de uma real inclusão sociodigital, que de fato seja producente e que alcance a população.

Foi muito interessante perceber o quanto a cidade de Passo Fundo investe(iu) em inclusão, criando projetos voltados à educação básica e média do ensino público. Nessa cidade, existem os projetos Escola de Hackers e Berçário de Hackers, ambos mantidos pela UPF no projeto Mutirão pela Inclusão Digital, que ensinam programação aos e às estudantes através das ferramentas Scratch e ScratchJr. Enquanto isso, Vitória

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Me chamou muito à atenção quando da participação do Ângelo, criador do portal Ecolabore, e da Daniela, estudante de graduação em Comunicação Social na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), servidora pública na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e co-criadora do DOSVox. Ambos possuem deficiência visual avançada, apresentaram oficinas e relatos de experiência e ainda foram ao evento sozinhos. Participar de seus relatos enalteceu a visão de que a tecnologia tem que melhorar muito para ser realmente acessível e que não se podem desempenhar projetos e eventos de inclusão sem lembrar das especificidades de cada pessoa.


A Oficina Tela Cidadã: disseminando conceitos políticos, motivo pelo qual fomos parar lá no Sul, foi um sucesso. Fizemos uma campanha de marketing bem estruturada, divulgando o material sobre o projeto através de flyers, CDs, cartões profissionais, banner e slides. Isso tudo tornou possível a participação de mais pessoas na oficina e a promoção do nome e objetivo do Tela. Participaram da oficina, servidores públicos e professores da região e desenvolvedores. Essa pluralidade de opiniões enriqueceu ainda mais o debate sobre cidadania e transparência pública protagonizado por mim e pela estudante Úrsula, técnica de desenvolvimento do Tela Cidadã.

Fique à vontade para consultar o material da Oficina:

No mais, só posso dizer que ano que vem o NCD estará lá novamente!😉

 

Crônica do Bom Professor(a)

A crônica do Bom Professor(a)

Estou triste, não consigo entender. Dou toda a matéria e meus alunos não conseguem compreender.
O que será possível? O que posso fazer?

Eu passo a matéria, igualzinho do livro. Meus alunos não fazem o dever.

Só poder ser isso. Eles não querem aprender.

Dormem na sala. Preguiçosos. Ficam a mexer no celular. Maldita geração. Não prestam atenção na aula. Não dão valor à oportunidade. Já até tomei o celular, mas não adianta.

O que mais posso fazer?

Minha aula é ótima. Apesar de nunca prepará-la. Minha didática é funcional. Apesar de nunca ter estudado didática.
Será que devia mesmo ler Paulo Freire?

Será que deveria adaptar a aula à cada turma diferente?
Será que eu faço um curso de pedagogia?
Ou um grupo de estudos sobre contextualização para a aprendizagem significativa?

Não. Certeza que não.

Alunos preguiçosos. Nunca fazem a lista!

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Detinha Son, presente!

Conheci essa figura inesquecível em meados de 2013, em meio à bicicletadas e manifestações. Naquela época o CUC (Ciclistas Urbanos Capixaba) estava saindo do forno, e é claro que ela estava no meio disso. Ela também agiu e encabeçou a resistência ao projeto de transformar a antiga Praça do Cauê em uma via para carros. Resistimos, a Praça continua lá, mas com um nome melhor: Praça do Ciclista.

 

Muitos foram os encontros nas bicicletadas e as trocas de ideias, apesar da frequência maluca desses eventos. Sempre pontuávamos a necessidade de reorganização do movimento cicloativista de Vitória. Nos últimos dias construímos mais coisas. Tentamos fazer um programa na Rádio Universitária sobre “O Bike Vitória e o Plano de Mobilidade Urbana”, que por ironia do destino teve que ser remarcado para agosto. A oficina “Mecânica básica de bicicletas e dicas de segurança para mulheres” enfim saiu, mesmo debaixo de chuva. Pensar em tudo o que estávamos planejando para o futuro breve é desnorteador…

Sempre ressaltávamos a ociosidade na qual se encontra a Massa Crítica. Afinal, onde foi parar essa galera do pedal? Estavam todos e todas felizes e convencidos com a mobilidade urbana de Vitória? Por que diabos era tão difícil realizar um evento sobre bicicleta com mais de 10 pessoas? Ainda, pra quê tanto medo da PMV para enfrentar essa cultura carrocrata?

Todas essas perguntas seguem sem resposta. Ela, que sempre fez muito nas pautas ambiental e de mobilidade urbana, não se contentaria com menos do que uma mudança drástica no Plano de Mobilidade Urbana de Vitória, do que uma imensa campanha de educação no trânsito e do que um movimento ciclo ativista que transforme Vila Velha, Vitória e Serra – para começar!

Por todo o ensinamento, alegria e ânimo que recebi dessa pessoa radiante, o mínimo que posso fazer é homenageá-la e agradecer. Afinal, entre todas as correrias e ações que deram certo e errado, toda a militância e a utopia, pra mim fica o seu ensinamento: “Sempre vale o pedal!”

Guerreira, a luta continua!

#ForaTemer

Acidente, imposto e a calçada

No dia 06 de março, terminei o pedal que fiz no fim de semana para visitar a família na Barra do Jucu. Foram uns 20 km durante a ida, com vento nordeste forte à favor, e 25  km de volta, com vento nordeste forte contra, principalmente na orla da praia. Contudo, assim como pude perceber nas poucas ciclo viagens que fiz, a cidade de Vitória é muito mais violenta contra o ciclista do que as BRs e ESs do estado.

Strava da ida: Pedalada Vespertina pro almoço

Strava da volta: Pedalada em busca da VAI

Agora você vai entender porque a volta foi 5 km mais longa do que a ida, mesmo que eu tenha ido e voltado de Bike GV. Ao chegar em Vitória, dei uma volta em busca da Volta à Ilha, que havia saído da Praça dos Desejos para dar uma volta na ilha de Vitória horas antes.

Logo no caminho para a casa de um amigo, sofri um acidente por culpa do motorista, que abriu a porta do carro sem olhar no retrovisor, desrespeitando o Artigo 49 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB):

Artigo 49. O condutor e os passageiros não deverão abrir a porta do veículo, deixá-la aberta ou descer do veículo sem antes se certificarem de que isso não constitui perigo para eles e para outros usuários da via.

Eu não estava rápido, tampouco ocupando meia pista – e deveria estar como medida de segurança para exatamente que coisas como essa não ocorram. Como o indivíduo abriu a porta a cerca de 2 metros à minha frente, não tive tempo de resposta, felizmente consegui pelo menos me livrar de alguns ossos quebrados (ou morte) e acabou sobrando para a coitada e sofrida da minha Vira Lata.

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Restos mortais da gaveta/arforje

Para continuar o show de horrores, o motorista quis colocar a culpa em mim, me xingou, falou que na rua só podem andar veículos emplacados e que pagam impostos, que eu deveria estar na calçada e ameaçou chamar a polícia. Eu retruquei lhe dizendo que desconhecia o Código de Trânsito Brasileiro, que ao invés de se preocupar com o arranhão do carro devia se importar com a minha vida e que chamasse a polícia pois ia aproveitar para processá-lo.

Ainda sobre o CTB, onde consta a obrigação de que o ciclista não ande na calçada:

Artigo 59. Desde que autorizado e devidamente sinalizado pelo órgão ou entidade com circunscrição sobre a via, será permitida a circulação de bicicletas nos passeios.

Por motivos judiciais, não divulgarei a placa do sujeito. Não consigo acreditar que ainda vivo numa sociedade onde existem pessoas que só tem o direito à cidade, à rua, o cidadão de bem” que paga seu imposto.

Detinha Son

Por algum motivo, esse texto estava pronto desde abril mas não foi publicado por mim. Parece que ele estava aguardando um estímulo… Infelizmente, nesta última quinta-feira, perdemos um grande elo do movimento cicloativista do Espírito Santo, a Detinha Son, pelo mesmo motivo citado no texto – uma porta imprudente que se abriu.

Hoje o movimento cicloativista de Vitória e do Espírito Santo está em luto. Amanhã, estaremos em luta!

Detinha Son, PRESENTE!

Equilíbrio

“Todo equilíbrio é temporário e relativo.”
(Friedrich Engels)

Como um malabarista
ao se equilibrar
em meios aos pratos.
Encenando como um artista.

Pratos vazios
dedos sujos
alma solícita.
E coração confuso.

Muitos momentos
Vários compromissos
Na boca, pessoas
Mas faltam amigos.

Viver é movimento,
brisa leve e tornado
mesmo sem vento.

Também é arriscar
se doar, arder.
Se machucar e cortar
mesmo sem ver.

É compensar o tempo
Correr pelo instante
Rever seus medos
e continuar avante!