Mês: Agosto 2016

Quando será o dia do Estudante?

Depois de mais um dia típico da atual rotina de estudante, chegando cedo e saindo tarde da Universidade, sem bolsa e nem emprego (como ter emprego em curso Integral?), me pego a refletir, em pleno 11 de Agosto, Dia do Estudante: quando será o dia do estudante?

Quando será que os e as estudantes das Universidades e Escolas Públicas terão força e vez? Quando será que nosso poder de decisão sobre as ações dessas instituições de ensino realmente terão a devida representatividade?

Aí fica a dúvida martelando na cabeça: quando foi que alguém, como forma de respeito e reconhecimento, te chamou como Estudante Maria ou Estudante João? Agora, quantas vezes se ouviu um Doutor Fulano, Advogado Beltrano ou Professor Ciclano?

Em meio a mais um dia de atuação na representação discente do Conselho Universitário da Ufes, volta a sensação de impotência, afinal, mesmo nós sendo mais de 25 mil nessa Universidade, éramos 5 no Conselho. Mesmo sendo a imensa maioria, temos o mesmo poder de voto, nas eleições à Reitoria por exemplo, que os professores e técnico-administrativos – podem 15 mil estudantes votarem que ainda assim teremos a mesma proporção na contagem de votos que os cerca de 1,2 mil professores da última eleição. Mesmo sendo a base do ensino regular da Universidade, vivemos a dificuldade de encontrar quem goste de dar aula para os cursos de graduação ao invés de orientar pós-graduandos para fazer pesquisa.

Sempre sendo refém de uma assinatura, uma liberação, ao passo que desenvolvemos certos projetos com mais afinco do que qualquer um.

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Vale lembrar que o dia 11 foi escolhido como tal pois foi nesta data em que foram criados os dois primeiros cursos de nível superior no país: Ciências Jurídicas e Ciências Sociais, no ano de 1827, por decreto de D. Pedro I. Antes disso, quem quisesse cursar o ensino superior teria que ir até a Europa. Dessa forma, somente pessoas de famílias ricas tinham esse privilégio, fato que acentuava ainda mais as diferenças sociais no Brasil, mas não se diferenciam muito da realidade atual. O dia de hoje marca também a criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1937.

Com isso tudo, não pretendo desmerecer as demais profissões, pelo contrário, pretendo reconhecer o título de Estudante como algo que seja honrado e se torne, quem sabe um dia, motivo de orgulho para nós, Estudantes que enfrentamos muitas dificuldades, com frequência resolvemos problemas que não deveriam ser de nossa alçada e diariamente lutamos por uma melhoria na qualidade de ensino e em nossa sociedade.

Para nós, um Feliz dia do e da Estudante!

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A Dialética da Natureza

A Dialética da Natureza é uma obra inacabada escrita por Friedrich Engels, provavelmente entre 1972 e 1982. Muito do que por ele foi afirmado se mostrou, a posteriore, um equívoco, visto que os avanços científicos da época em que os manuscritos foram feitos antecederam muitos avanços tecnológicos importantes, mas, ainda assim, com uma capacidade incrível, Engels previu muitas descobertas e antecipou muitos pensamentos.

Pessoalmente, foi uma leitura difícil, visto que o linguajar utilizado pela edição traduzida, em 1977, em sua maioria do alemão para o português, trás consigo uma abordagem da língua culta e de conceitos científicos. Enfim, depois de quase dois anos, consegui encarar e terminar a leitura. Muito por isso, me motivei a propagar os trechos que mais me chamaram a atenção – e assim o farei também com outras leituras futuras:

Torna-se evidente que, em princípio, a identidade de um ente qualquer consigo mesmo, requer, como complemento, a diferença com tudo mais. (p. 133)

Todo equilíbrio é apenas temporário e relativo. (p. 138)

Os homens de ciência acreditam que se libertam da filosofia, ignorando-a ou insultando-a. No entanto, não pode fazer progresso algum sem pensar; e, para pensar, necessitam de certas determinações mentais. Mas a verdade é que recebem essas categorias sem refletir, da consciência comum das pessoas chamadas cultas, aquelas justamente que estão dominadas por um resto de filosofia há muito tempo caduca; ou então por esse pouquinho de filosofia escutada à força nas Universidades (filosofia não só fragmentada mas constituída de uma miscelânea de opiniões de gente que pertence às mais variadas e geralmente piores escolas) […]. (p. 147)

Clausius (caso esteja certo) demonstra que o universo foi criado; portanto, que a matéria é criável; portanto, que é destrutível; portanto, que também a força ou o movimento é criável e destrutível; portanto, que toda a teoria da conservação da força é um disparate; portanto, que todas as consequências daí recorrentes, são também disparatadas. (p. 161)

[…] Mas quanto mais se verifica isso, tanto mais os homens se sentirão unificados com a Natureza e tanto mais terão a consciência disso, tornando-se cada vez mais impossível sustentar essa noção absurda e antinatural que estabelece a oposição entre espírito e matéria, entre o homem e a Natureza, entre a alma e o corpo, concepção que surgiu na Europa depois da decomposição da antiguidade clássica e que adquiriu sua mais acentuada forma na doutrina do cristianismo. (p. 224)

Para quem está no século XXI, o livro é uma grande viagem. Muitas afirmações parecem verdadeiras, mas a ciência atual diz que não. De toda forma, a abordagem dialética do estudo das ciências naturais e sociais empregadas por Engels, e muito baseada e questionadora das obras de Hegel, mostra um lado filosófico da construção de muitas das descobertas que hoje temos como Lei científicas.

A sua leitura instiga a capacidade de criação e reflexão: será que nós, detentores de tanto acúmulo científico e cultural, não podemos alcançar uma leitura mais baseada na dialética do que nas Leis pré-definidas? Será que, assim como Engels, não podemos ser mais críticos diante do que nos foi colocado e questionar todas essas afirmações a fim de construir novos avanços?

Referência: Engels, Friedrich. A Dialética da Natureza. Rio de Janeiro, Paz e Terra S/A, 2000. 6ª. ed. 240 p. (Pensamento Crítico vol. 8).

Cuidado: bicicleta tem limites

Nos últimos dias, principalmente após os últimos acontecimentos do mundo cicloativista de Vitória, ao transitar pelas vias, tenho percebido a necessidade de cautela aumentando. A cada pedalar o peso da responsabilidade aumenta. Afinal, fazer um movimento político, orgânico e sincero nunca será fácil: isso é ser cicloativista.

No dia 23 de julho sofri um pequeno acidente, que não foi coincidência e me lembrou: bicicleta também machuca! Talvez por já ter esquecido dos tempos de criança, quando a cada dia era um tombo diferente, a certeza nos tira o medo, e viver sem medo te faz tender a ser menos cuidadoso. Se liga na foto de como ficou o aro traseiro (parede dupla, hein) da minha bicicleta, sem contar os arranhões e algumas coisas avariadas dentro da mochila.

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Lá se vai o segundo aro em um semestre

Por isso, resta a mim elencar algumas obviedades, por enquanto só 5, que com o tempo esquecemos:

  • Nunca pedale na contra mão!

Primeiro que é contra o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Artigo 58. Segundo, de que adianta você conseguir ver o que vai te atingir (acredite, muita gente diz que anda na contramão pra isso) se a violência do impacto será dobrada simplesmente pelo fato de que você está indo de encontro ao que pode te matar? Fisicamente não faz sentido, judicialmente é ilegal e você não é super herói. Apenas ande na via.

Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

BORDO DA PISTA – margem da pista, podendo ser demarcada por linhas longitudinais de bordo que delineiam a parte da via destinada à circulação de veículos.

Observe que o ciclista pode andar nos bordos da pista, ou seja, tanto na lado direito quanto no esquerdo da pista. É claro que a pista da esquerda é geralmente a mais rápida, então evitá-la é uma boa, mas sendo necessário, não se acanhe, sinalize sua mudança de pista, é seu direito!

  • Nunca pedale próximo ao meio fio!

Pedalar junto ao meio fio é quase um atestado de óbito para quem anda de bicicleta na Grande Vitória, considerando os buracos nas vias, as valetas, as tampas de bueiro e, principalmente, o desrespeito dos motoristas ao realizarem ultrapassagens sem garantir distância de 1,5 metro (art. 201 do CTB).

Por isso, sempre ocupe a sua faixa da via. Se a via é de faixa única (como, por exemplo, a Av. Leitão da Silva durante os períodos infindáveis de obras) ocupe toda a via e não se estresse com as buzinadas. Se a via é dupla com acostamento utilizado pelos carros para estacionar, ocupe a via à esquerda dos carros estacionados.

O Vá de Bike escreveu um artigo muito bom com todas as grandes motivações para essa “ocupação” da via, dê uma lida aqui no: porque o ciclista deve ocupar a via.

  • Não pedale bêbado!

Apesar de ciclista não ter que fazer bafômetro, isso não é motivo para andar bebaço. Pense bem, se você não consegue manter o equilíbrio sozinho, como vai garantir que no caminho não irá se machucar e nem machucar alguém? Melhor fugir do arrependimento e, na dúvida, você busca a bike na casa de um amigo no dia seguinte.

  • Nunca pedale com fone de ouvidos!

Ouvir música e andar de bicicleta é ótimo, e é por isso que uso uma pequena bolsa presa no quadro da bicicleta, onde coloco o celular e ouço música. Tenho amigos que carregam uma caixa de som na bicicleta (que nos diga o famoso Bike Som do Tiê Pordeus), mas ouvir música com fone é se abstrair de tudo o que acontece à sua volta. Alguém pode frear bruscamente, alguém pode gritar te avisando de algo ou buzinar e você só irá perceber quando estiver no chão.

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Bike Som do Tiê lá em João Pessoa

  • Ciclovia não é velódromo!

Ciclovia não tem velocidade máxima, e nem precisa, né? Principalmente nas ciclovias perto de casas e calçadão, onde sempre tem alguma criança brincando que pode atravessar sem te ver. Aí já era, se você acerta uma criança ou idoso, além de se machucar muito, pode causar um grande trauma na vítima. Tenha consciência! Se você quer treinar o ciclismo – como por aqui não temos um velódromo – utilize uma via com um grande acostamento e longe de casas e de transeuntes. Te garanto que o pior treino não será o lento, será o qual você fere alguém.

Bem, por ora é isso. Você pode até não concordar com tudo isso, mas tem algo que certamente você concorda: ficar sem poder pedalar (viver) é muito pior.

Bom pedal! 😉