Governança com quem?

Na primeira semana de abril participei da Escola de Governança da Internet América do Sul 2017, sediada na Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro. Durante esses dias, tivemos contato com pessoas de todos os setores da sociedade que debatem, de alguma forma, a Governança da Internet. Desde IBM, Facebook, Google e chefes de Estado à membros de organizações não governamentais ou ativistas dos direitos na Internet, como Internet Sem Fronteiras, Usuarios Digitales, IntervozesCoding Rights e, nós, do Observatório da Juventude.

Ao decorrer dos debates, foram tratados muitos pontos essenciais para a construção do futuro da Internet e das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como um todo. A dificuldade do acesso à Internet em regiões distantes dos grandes centros, o avanço exponencialmente rápido das tecnologias que acabam forçando as disputas sociais e as adaptações jurídicas e a necessidade de conscientização das/os usuários finais sobre o uso e sobre o que de fato acontece por debaixo dos panos (ou dos algoritmos e códigos, nesse caso) na Internet são assuntos sempre em alta nesses espaços.

Mesa de abertura e demais compostas em sua maioria por homens

Novamente, como pude observar no Internet Governance Forum 2016 (IGF) em João Pessoa, toda a discussão sobre Governança da Internet (GI) se mantém, ainda, muito elitizada e pouco representativa. De todos as composições de mesas da Escola, pode-se contar nos dedos as que em sua maioria foram compostas por mulheres. A situação ainda piora, e muito, se observarmos a participação de negras/os, LGBTs ou, até mesmo, de jovens. A composição do ambiente, do espaço, não só impacta nos produtos e reflexões que dali surgem como também no permanente distanciamento desses setores da sociedade. Tudo isso, impede de que executemos um modelo de governança multistackholder verdadeiro!

Por outro lado, todo o esforço para fazer da Escola um local desobstruído deve ser reconhecido. Todas as mesas estiveram sendo traduzidas simultaneamente em português, espanhol e inglês. Assim, o mais importante: as línguas nativas e a naturalidade (em amplo sentido) foram respeitadas. O ambiente que se dispõe a pensar sobre as mais diversas vivências deve também saber ouvir e falar de acordo com elas.

Nona Escola de Governança da Internet da América do Sul

Por fim, ainda há um extenso caminho para mudar a Internet e (re)transformá-la em uma ferramenta de representação e efetivação da liberdade, e isso perpassa pelo desenvolvimento de uma Governança da Internet mais participativa, acessível, democrática e representativa.

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